terça-feira, 17 de abril de 2012

Radamés Gnattali: O compositor e sua obra para violão


Radamés Gnattali, compositor brasileiro, nascido em Porto Alegre no Rio Grande do Sul em 27 de Janeiro de 1906, radicado no Rio de Janeiro desde 1931 , trabalhou  durante 30 anos na Radio Nacional tendo como principal função a de arranjador compondo até nove arranjos por semana. Para F. Zanon(O violão no Brasil depois de Villa Lobos,2006),  Gnattali foi o compositor que mais se esforçou em enfraquecer as barreiras entre a música clássica e a música popular de qualidade. O compositor brasileiro acumulou um número de registros de 275 obras escritas para orquestra, voz, instrumento solo, bandas e diversas formações camerísticas. Segundo V. Mariz(História da Música no Brasil, p.269), Radamés Gnattali está entre os compositores de mais abundante produção. Depois de transitar entre o violino e o piano na infância, Radamés Gnattali já era considerado prodígio pelos pais, músicos, assim como seus professores e seu caminho como pianista concertista era sua principal prioridade. Ainda muito novo, o jovem pianista realizou vários concertos em São Paulo, Porto Alegre e no Rio de Janeiro sempre chamando a atenção da crítica local e, no dia 17 de setembro de 1930, o futuro concertista fazia sua estréia como compositor. Nesse recital, Radamés apresentou ao público duas pequenas peças de sua autoria, o Prelúdio nº2 (Paisagem) e o Prelúdio nº3 (Cigarra), ambos para piano solo. Radamés Gnattali começou a trabalhar de fato como compositor quando foi para a Rádio Nacional. Foi nessa mesma instituição que o compositor tinha liberdade para criar, tanto na linguagem popular quanto na linguagem erudita. No ano de 1955, o Sexteto Radamés foi fundado por Radamés junto aos músicos que trabalhavam na Rádio naquele ano, o trabalho obteve êxito em grande parte da Europa. Vinte e quatro anos mais tarde nasce a Camerata Carioca, grupo regional de choro, dirigido por Radamés, formado pelos instrumentos percussão, dois violões, violão de sete cordas, cavaquinho e bandolim. 


Sua obra para violão


Radamé Gnattali conviveu com músicos como Pinxiguinha e Tom Jobim e teve como companheiros de profissão violonistas como Aníbal Augusto Sardinha o Garoto, José Menezes, Dino 7 cordas e Rafael Rabello, experiência que o motivou a compor para violão. Radamés dizia: "Naquele tempo tinha três violões espetaculares: o Menezes que tocava violão, cavaquinho e viola caipira, o Garoto e o Bola sete". Vários compositores do século XX como Oscar Lorenzo Fernandes, Francisco Mignone,Heitor Villa-Lobos , César Guerra- Peixe escreveram para violão, e, Radamés Gnattali, junto a Villa-Lobos foi um dos compositores brasileiros de maior produtividade, contribuindo de forma relevante para o repertório violonístico brasileiro. São 44 registros de peças que incluem o violão, dentre elas quatro concertos para violão e orquestra, Toccata em ritmo de samba 1 e 2, Dança brasileira, Pequena Suíte,  e os Dez Estudos para violão solo , obra datada em 1967 no Rio de Janeiro. Em seus Dez Estudos para violao, cada um dedicado a um violonista diferente, Radamés nos remete a variados tipos de estruturas musicais, sempre acompanhados da linguagem jazzística fundida com elementos do folclore e da música popular brasileira. Seus Estudos têm apresentado um papel relevante para os violonistas da atualidade. A obra "10 Estudos para violão" possui grandes dificuldades técnicas e um profundo valor artístico-cultural, podemos citar como exemplo o Estudo V, onde o compositor trabalha com afinação de viola caipira, nesta peça a sonoridade da música feita no campo é evidenciada no âmbito das seis cordas devido as diferentes possibilidades de afinação e tonalidades favoráveis para o instrumento soar. O Estudo II tem como indicação de caráter, "Valsa Seresteira", e no Estudo X, Gnattali desenvolve um tema de Garoto presente em um de seus choros, o "Gracioso".

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