Neste vídeo estou interpretando o terceiro movimento da "Libra Sonatine" do compositor francês Roland Dyens. Essa peça traz uma forte influência de música brasileira na obra de Dyens, principalmente no aspecto ritmico. Podemos perceber claramente as acentuações que remetem ao Baião, mas Roland Dyens não se limitou em utilizar somente elementos do ritmo brasileiro. A harmonia e as frases que ouvimos em "Libra Sonatine", de uma forma geral, estão diretamente ligadas a linguagem jazzística. E para consolidar a originalidade da peça, Dyens explora vários efeitos que fazem parte da linguagem de outros instrumentos tais como o bend, articulação comum entre os guitarristas, o slap, efeito característico do baixo elétrico e frases ritmicas em que utiliza o violão como instrumento de percussão.
Violão Clássico por Filipe Gonçalves
sexta-feira, 25 de maio de 2012
apreciação - Filipe Gonçalves interpreta Roland Dyens
Neste vídeo estou interpretando o terceiro movimento da "Libra Sonatine" do compositor francês Roland Dyens. Essa peça traz uma forte influência de música brasileira na obra de Dyens, principalmente no aspecto ritmico. Podemos perceber claramente as acentuações que remetem ao Baião, mas Roland Dyens não se limitou em utilizar somente elementos do ritmo brasileiro. A harmonia e as frases que ouvimos em "Libra Sonatine", de uma forma geral, estão diretamente ligadas a linguagem jazzística. E para consolidar a originalidade da peça, Dyens explora vários efeitos que fazem parte da linguagem de outros instrumentos tais como o bend, articulação comum entre os guitarristas, o slap, efeito característico do baixo elétrico e frases ritmicas em que utiliza o violão como instrumento de percussão.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Radamés Gnattali: O compositor e sua obra para violão
Radamés Gnattali, compositor brasileiro, nascido em Porto Alegre no Rio Grande do Sul em 27 de Janeiro de 1906, radicado no Rio de Janeiro desde 1931 , trabalhou durante 30 anos na Radio Nacional tendo como principal função a de arranjador compondo até nove arranjos por semana. Para F. Zanon(O violão no Brasil depois de Villa Lobos,2006), Gnattali foi o compositor que mais se esforçou em enfraquecer as barreiras entre a música clássica e a música popular de qualidade. O compositor brasileiro acumulou um número de registros de 275 obras escritas para orquestra, voz, instrumento solo, bandas e diversas formações camerísticas. Segundo V. Mariz(História da Música no Brasil, p.269), Radamés Gnattali está entre os compositores de mais abundante produção. Depois de transitar entre o violino e o piano na infância, Radamés Gnattali já era considerado prodígio pelos pais, músicos, assim como seus professores e seu caminho como pianista concertista era sua principal prioridade. Ainda muito novo, o jovem pianista realizou vários concertos em São Paulo, Porto Alegre e no Rio de Janeiro sempre chamando a atenção da crítica local e, no dia 17 de setembro de 1930, o futuro concertista fazia sua estréia como compositor. Nesse recital, Radamés apresentou ao público duas pequenas peças de sua autoria, o Prelúdio nº2 (Paisagem) e o Prelúdio nº3 (Cigarra), ambos para piano solo. Radamés Gnattali começou a trabalhar de fato como compositor quando foi para a Rádio Nacional. Foi nessa mesma instituição que o compositor tinha liberdade para criar, tanto na linguagem popular quanto na linguagem erudita. No ano de 1955, o Sexteto Radamés foi fundado por Radamés junto aos músicos que trabalhavam na Rádio naquele ano, o trabalho obteve êxito em grande parte da Europa. Vinte e quatro anos mais tarde nasce a Camerata Carioca, grupo regional de choro, dirigido por Radamés, formado pelos instrumentos percussão, dois violões, violão de sete cordas, cavaquinho e bandolim.
Sua obra para violão
Radamé Gnattali conviveu com músicos como Pinxiguinha e Tom Jobim e teve como companheiros de profissão violonistas como Aníbal Augusto Sardinha o Garoto, José Menezes, Dino 7 cordas e Rafael Rabello, experiência que o motivou a compor para violão. Radamés dizia: "Naquele tempo tinha três violões espetaculares: o Menezes que tocava violão, cavaquinho e viola caipira, o Garoto e o Bola sete". Vários compositores do século XX como Oscar Lorenzo Fernandes, Francisco Mignone,Heitor Villa-Lobos , César Guerra- Peixe escreveram para violão, e, Radamés Gnattali, junto a Villa-Lobos foi um dos compositores brasileiros de maior produtividade, contribuindo de forma relevante para o repertório violonístico brasileiro. São 44 registros de peças que incluem o violão, dentre elas quatro concertos para violão e orquestra, Toccata em ritmo de samba 1 e 2, Dança brasileira, Pequena Suíte, e os Dez Estudos para violão solo , obra datada em 1967 no Rio de Janeiro. Em seus Dez Estudos para violao, cada um dedicado a um violonista diferente, Radamés nos remete a variados tipos de estruturas musicais, sempre acompanhados da linguagem jazzística fundida com elementos do folclore e da música popular brasileira. Seus Estudos têm apresentado um papel relevante para os violonistas da atualidade. A obra "10 Estudos para violão" possui grandes dificuldades técnicas e um profundo valor artístico-cultural, podemos citar como exemplo o Estudo V, onde o compositor trabalha com afinação de viola caipira, nesta peça a sonoridade da música feita no campo é evidenciada no âmbito das seis cordas devido as diferentes possibilidades de afinação e tonalidades favoráveis para o instrumento soar. O Estudo II tem como indicação de caráter, "Valsa Seresteira", e no Estudo X, Gnattali desenvolve um tema de Garoto presente em um de seus choros, o "Gracioso".
Sua obra para violão
Radamé Gnattali conviveu com músicos como Pinxiguinha e Tom Jobim e teve como companheiros de profissão violonistas como Aníbal Augusto Sardinha o Garoto, José Menezes, Dino 7 cordas e Rafael Rabello, experiência que o motivou a compor para violão. Radamés dizia: "Naquele tempo tinha três violões espetaculares: o Menezes que tocava violão, cavaquinho e viola caipira, o Garoto e o Bola sete". Vários compositores do século XX como Oscar Lorenzo Fernandes, Francisco Mignone,Heitor Villa-Lobos , César Guerra- Peixe escreveram para violão, e, Radamés Gnattali, junto a Villa-Lobos foi um dos compositores brasileiros de maior produtividade, contribuindo de forma relevante para o repertório violonístico brasileiro. São 44 registros de peças que incluem o violão, dentre elas quatro concertos para violão e orquestra, Toccata em ritmo de samba 1 e 2, Dança brasileira, Pequena Suíte, e os Dez Estudos para violão solo , obra datada em 1967 no Rio de Janeiro. Em seus Dez Estudos para violao, cada um dedicado a um violonista diferente, Radamés nos remete a variados tipos de estruturas musicais, sempre acompanhados da linguagem jazzística fundida com elementos do folclore e da música popular brasileira. Seus Estudos têm apresentado um papel relevante para os violonistas da atualidade. A obra "10 Estudos para violão" possui grandes dificuldades técnicas e um profundo valor artístico-cultural, podemos citar como exemplo o Estudo V, onde o compositor trabalha com afinação de viola caipira, nesta peça a sonoridade da música feita no campo é evidenciada no âmbito das seis cordas devido as diferentes possibilidades de afinação e tonalidades favoráveis para o instrumento soar. O Estudo II tem como indicação de caráter, "Valsa Seresteira", e no Estudo X, Gnattali desenvolve um tema de Garoto presente em um de seus choros, o "Gracioso".
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Paul Galbraith e seu violão de oito cordas
Esse é Paul Galbraith, violonista escoscês radicado no Brasil , possui uma carreira brilhante que agrega o sucesso internacional como intérprete, sua concepção musical e as inovadoras possibilidades que apresentou ao universo violonístico.
Paul Galbraith tinha todas as qualidades para ser um grande interprete de carreira internacional e vários discos gravados mas ele foi além, em 1989, o jornal Londrino “Sunday Times” qualificou como “revolucionária” a nova postura de seu violão. Paul sentiu a necessidade de mudar a postura e logo que percebeu uma forma mais natural e confortável de utilizar o instrumento, já começou a se apresentar como tal enfrentando os riscos de fracasso e até mesmo o preconceito de críticos tradicionalistas. Como se não bastasse, Paul sentiu a necessidade de ampliar os registros(grave e agudo) do instrumento com intuito de executar Bach, obras renascentistas nas versões originais e transcrever para o violão obras originalmente escritas para piano e até peças de orquestra. O novo instrumento possui oito cordas sendo um La mais agudo e um La mais grave. A idéia inicial era introduzir uma corda mais grave (La grave) mas depois de uma discussão com Stéfano Grondona sobre o aumento da extensão disponível dentro de uma posição, Paul recebeu a orientação do amigo de acrescentar uma oitava corda mais aguda(La agudo). A oitava corda possibilitaria um equilíbrio maior do instrumento e facilitaria os dedilhados até mesmo de obras escritas para violão de seis cordas.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Para Apreciar - Por Los Campos de España - Gerard Abitón
Por los Campos de España – Gerard Abitón
Neste disco, o violonista Gerard Abitón interpreta somente obras do compositor espanhol Joaquín Rodrigo. Gerard Abitón atua como concertista a mais de vinte anos tendo se apresentado em diversos países da Europa, sua discografia conta com cinco cd's, dentre eles está gravada o obra completa para violão do compositor mexicano Manuel Ponce distribuída em três volumes. Abitón é um belo exemplo do artista comprometido com a arte que produz. Certa vez, tive a oportunidade de vê-lo tocar em São Paulo - SP e fiquei impressionado com a clareza na sua execução. Suas interpretações explicam de forma bem clara sua concepção musical, desta forma, a comunicação entre músico e ouvinte acontece naturalmente.
O elemento principal que caracteriza o disco "Por Los Campos de España" é a forte presença da música flamenca na obra de Joaquín Rodrigo para violão solo. O trabalho nos mostra como o compositor espanhol utilizava a música do seu país como fonte de matéria prima. Vale ressaltar a necessidade do intérprete de conhecer de forma minunciosa a estética da música flamenca e também sobre as técnicas de guitarra flamenca para conseguir um bom resultado na gravação de peças como "Bajando de la Meseta", "En tierras de Jerez", "Sonata Giocosa - Allegro - 3º mov" e "Invocación e Danza".
quinta-feira, 21 de julho de 2011
concerto - Quarteto de violões Quaternaglia em BH
Na terça feira passada dia 19/07 Belo Horizonte recebeu o quarteto de violões Quaternaglia, o público teve a oportunidade de conhecer um pouco do trabalho deste quarteto que já completou 19 anos de carreira e lançou cinco discos. O concerto foi para lançar o último CD intitulado “Estampas” . Foram executadas em recital, obras de compositores como Egberto Gismonti , Paulo Bellinati, Leo Brower e Frederico M. Torroba. Um dos desafios que qualquer grupo camerístico formado somente por violões, seja ele duo, trio ou quarteto é fazer com o que todos os intrumentos soem naturalmente como um só, principalmente nos momentos em uníssono e contraponto, tarefa que o Quaternaglia faz muito bem.O grupo possui uma sonoridade bastante homogênea e equilibrada , qualidade fundamental para um grande quarteto de violões.
Além dos quatro intrumentos utilizados pelos músicos terem sido construídos pelo grande luthier Sergio Abreu é notável a preocupação musical dos integrantes diante da interpretação e execução das obras.
Destaque para “Los Caminhos del Viento”(2007) do compositor cubano Leo Brower. Essa peça inicia com um pequeno ostinato(duas notas) ,a princípio não muito atraente, mas é só entrar os demais objetos sonoros que obtemos as belas surpresas que a obra nos reserva.”Los Caminhos Del Viento” é uma gravação inédita do CD “Estampas” ,e, com a ritmica deslocada e efeitos especialmente escritos para quatro violões( Mi grave, acordes quartais ...) formam o principal atrativo da peça. Leo Brower mais uma vez surpreendendo. Vale a pena escutar!
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Para Apreciar - Ritmos e Danças - violão e quarteto de cordas - Aliéksey Vianna
DISCO I


Sem dúvida alguma, um disco surpreendente, Alieksey Vianna em Ritmos e danças reuniu em dois cd´s, peças de compositores pan-americanos como Sérgio Assad, Carlos Guastavino, Leo Brower ,Egberto Gismonti entre outros, escritas originalmente para violão e quarteto de cordas. Gostaria de destacar primeiramente a escolha do repertório e a ordem das peças feita nas gravações onde existe um belo equilíbrio de caráter e estrutura das obras que são marcadas por ritmos fortes , temas viscerais e belas doses de lirismo.
O primeiro cd tem como abertura a obra “Five World Dances” de Sérgio Assad que mostra muito bem sonoridades características de várias partes do mundo, a primeira dança da suíte possue um tema bem marcante executado pelo quinteto inteiro, nesta idéia inicial, Sérgio utiliza uma escala tipicamente árabe que virá a se repetir no final, executada com muita energia por Alieksey Vianna. Destaque também para a quarta dança “Balkan” que, em meio a frases e ritmos fortes executados pelo quarteto, o violão sempre volta a uma idéia ornamentada que intriga o ouvinte, dando a impressão que é a primeira vez que a escutamos.
Depois da faixa “ Rítmos e Danças” de Egberto Gismonti, escutei Las Presencias n º6: “Jeromita Linares” de Carlos Guastavino que é, simplesmente maravilhosa, um contraste de caráter em relação as obras anteriores que nos proporciona sentir toda a nostalgia e leveza da peça. A última peça do disco 1 , o “quintetto” do renomado compositor Leo Brower ,volta com muita energia , e , com uma escrita clara e bem distribuída para violão e quarteto de cordas, brower trabalha muito bem os objetos musicais apresentados inicialmente , explorando os timbres, as possibilidades de articulação e a textura dessa formação instrumental.
DISCO II
No segundo volume do cd “Ritmos e Danças”, Alieksey Vianna trabalha com peças mais complexas, com grandes valores composicionais e uma densidade artística admirável. São peças que apresentam propostas diferentes de caráter e forma,mas quando escutamos o disco inteiro em uma só audição, notamos um efeito de unidade realmente impressionante durante a apreciação, uma característica importante que todo bom disco deve ter. A primeira peça se chama “Migration” do compositor americano Ralph Towner, possui uma linguagem bem sofisticada , seu início é bem agitado e possui uma rítmica bastante alternada, idéia que antecede uma sucessão de pequenos ostinatos que servem como principais fios condutores da peça. Logo, temos as “Cuatro Danzas Sibilinas” de Eduardo Ângulo , nos apresenta , na primeira dança, um tema modal , lindo de ouvir , sereno, tranquilo , um ambiente sonoro bastante expressivo. A segunda dança traz , em seus primeiros compassos toda uma densidade sentimental sugerida pelo “Adagio” (1º dança, faixa 2) que logo é intenrrompida por alguma espécie de marcha acompanhada de belas seções de entusiamo e simpatia. O “Allegretto Scherzando” mostra toda a beleza e charme do tango , com algumas pitadas de música árabe. E finalmente, a quarta e última dança encerra o ciclo com temas saltitantes, animados , e as vezes até engraçados.
Alieksey finaliza o disco II com “Concerto a Cinque” do compositor Guido Santórsola, italiano que viveu no Brasil e naturalizou-se uruguaio. Peça em quatro movimentos, possui uma personalidade bem contemporânea, podemos perceber uma pequena influência de música dodecafônica, frases que se assemelham com Jazz contemporâneo e técnicas tradicionais de escrita como o contraponto, uilizado no quarto movimento “Finale – Fugato”.
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